
Assistir a uma reportagem com título carregado de preconceitos, como o da foto, gera revolta aos telespectadores, digo àqueles que tem senso crítico. Esse tipo de atração invade nossas casas através de um toque no controle remoto, como ocorreu comigo, e tentam prender a atenção apostando no pior, na miséria humana.
Todos hão de convir que o Balanço Geral é um show de sensacionalismo. Mas brincar com uma questão tão séria quanto a dos hansenianos chega ser uma contravenção, principalmente por toda a história envolvida. Os leprosos já foram chamados de possessos, sofreram com a exclusão social e morreram devido ao mesmo preconceito relembrado pela atração da Rede Record.
A Reportagem
A equipe do programa foi ao local onde os doentes eram tratados. Visitaram as casas de dois moradores. Na entrevista, as pessoas eram instigadas a contarem histórias sobrenaturais. Para se ter uma idéia, uma mulher de idade avançada dizia que falava com fantasmas, enquanto Geraldo Luís, o apresentador, afirmava sentir vibrações negativas, escutar sons, além de outras assombrações. Acredite, a reportagem insinuava que o local era mal-assombrado.
Reincidência
Outro dia, numa rápida passagem pelos canais, me deparei com mais uma manchete absurda do mesmo programa: a rota da morte. O apresentador passeava pelos corredores por onde passavam os corpos dos mortos, no Hospital das Clínicas de São Paulo, encenava, se contorcia e ainda sugeria a presença de fantasmas, assim como fez na reportagem dos leprosos. Para completar, uma das pessoas da produção fingia que apagaria a luz e ria, enquanto o apresentador tentava aparentar estar com medo.
O programa se autointitula jornalístico. Sim, aquele que deveria apurar fatos, defender os direitos e respeitar a honra e a imagem dos cidadãos.
E a nota mais triste: por diversas vezes o programa alcança o primeiro lugar na audiência.